sexta-feira, 10 de abril de 2020

A COVID-19 e a ideia da pós-verdade. Com a palavra, o bom-senso!

Em meio a todas as dificuldades por que passam os gestores públicos, alardeiam-se comentários os mais variados no sentido de estar o poder público brasileiro demorando na tomada de decisões, com relação a suportes e, especialmente, à vacina financeira ao mercado e trabalhadores. Aparece economista, sociólogo, jornalista e outros tantos, quando, em verdade, não é simples e fácil estar no comando numa hora dessa. Hoje, no mundo e nas críticas, tudo ganha relevo de verdade, quando nem mesmo se têm dados concretos para comentários. Uma ala da crítica entoa um discurso que parece partir daqueles que nunca saberiam agir, se estivem à frente das regras do jogo. Vive-se, atualmente, o chamado viés da pós-verdade, dita certa vez pela Revista The Nation, caracterizada como algo relacionado a situações em que fatos objetivos têm menos poder de influência na opinião pública do que sentimentos ou crenças pessoais. Esses que incisivamente criticam, se estivessem lá, fariam muito mais demorado do que está sendo feito. Ou, fariam mais rápido, com diversos desajustes e desequilíbrios, além dos que já se veem.
Por mais que se enxerguem equívocos, e são muitos, calma! O governo tem pouquíssimo tempo para montar medidas provisórias, calcular valores, estabelecer planejamento, criar rotinas, sistemas, logísticas e muito mais que ainda precisará vir. Tudo começou por volta do dia 20 de março, relativamente aos isolamentos, transcorrendo-se de lá para cá uma eternidade para quem espera, sem nenhuma dúvida. Todavia, é certo, da mesma forma, o fato de esse hiato tempo ser pouquíssimo para as equipes governamentais que, na linha de frente do vagão, precisam pensar em milhões de atividades.
Estivesse Karl Marx vivo, diria: “O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele adora-a”. Seria ele, depois, interpelado por Milton Friedman, que dispararia: "Nao existe tal coisa de almoço grátis". Sem dados catalogados para uma realidade tão complexa, cheia de variáveis, para quem está no comando é preciso tempo ao tempo. Aqui não tenho alinho a uma corrente. Ou mesmo não nutro simpatias ao comandante máximo. Vejo, no entanto, a necessidade de se fomentar a parcimônia, tendo a percepção de que no momento atual tudo é muito novo à equipe técnica que, penso, trabalha para tirar uma nação de dias de caos. Decisões que desagradem certos setores serão naturais, mas que poderão, oxalá, trazer evolução no futuro quanto antes.
E tudo isso destaco sem qualquer respaldo numérico, mas com a grande esperança de que um rumo melhor se estabeleça e que tempos claros surjam no horizonte, sendo imprescindível que o atual comando diga menos e faça mais; e que todos alardeemos menos e acreditemos mais.
Para o momento atual e, sobretudo, para as tomadas de decisões que ainda advirão, com a palavra: o bom-senso!
[Artigo publicado, originariamente, no Jornal O Estado, edição de 10 de abril de 2020, p. 2]

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