sexta-feira, 3 de julho de 2020

CAFÉ EM DOMICÍLIO

Recentemente foram divulgadas duas notícias para as empresas. Uma, de fôlego nacional, dizia respeito à liberação, por parte do Banco Central do Brasil, de crédito; a segunda, de âmbito estadual local, encabeça 23 medidas relacionadas a aspectos tributários, de apoio à atividade empresarial, que vão desde a facilitação no pagamento do ICMS até estudos para desburocratização do processo tributário. Apoios, de fato, necessários, além de outros, e muitos, que precisarão ser pensados, de preferência, conjuntamente, entre os três entes da federação.
Mas afora tudo isso e, sobretudo, tirante o por vir, é interessante a percepção de como se comportam as reações do meio empresarial, as quais, na verdade, encarrilham dois sentimentos que são da condição humana: a capacidade de autoilusão e as possibilidades de reinvenção.
A primeira se nota quando há discursos de que a pandemia veio para melhorar o mundo; que o meio empresarial já precisava reinventar-se; que as novas rotinas tomarão conta do seio corporativo; que o desajuste mundial, e especificamente brasileiro, era necessário e premente, como forma para se impulsionarem novos horizontes. Como se tudo isso já não pudesse – e era – ter sido pensado, sem que as sociedades, inclusive empresárias, precisassem pagar um preço tão alto. São muitas as manifestações nesse sentido, além de escritos, e em jornais, que denotam tal sensação, a qual, no final das contas, adotando-se o otimismo como padrão de conduta, resta ser aceita e, também, louvável.
Por outro lado, é incrivelmente extraordinária a força, de espírito e de estímulos próprios, com que se desenvolvem ações e reações em negócios, para os chamados novos tempos. Criam-se medidas, opções, planos, tudo muito se realizando, inclusive, por meio de entregas em domicílio. Ou, reinvenções que dão o toque exato de uma área de vida profissional que sofre, e muito, num país em que se tem um sócio – Brasil – que se alimenta muito do bônus, sem encarar o ônus que é empresariar numa sociedade subdesenvolvida, ou em desenvolvimento.
E o pior, ou o melhor, é que existem avanços, revelando-se que, realmente, pelo menos para o mundo dos negócios, a despeito do elevadíssimo preço, haverá grandes mudanças nas rotinas de vida, esperando-se que o Poder Público, diante de tudo, também passe fazer a sua parte, notadamente com novas posturas a serem adotadas por agentes políticos, sem espaços mais para corrupção e, devendo ser foco, para os que estão nos planaltos, a adoção de medidas de inventivo, realmente.
Porque, voltando ao mundo dos negócios, há gostos para tudo, e ainda sobra. As atividades se diversificam; os meios passam a ser outros; algo que era explorado duma forma, passa a ser eivado de oportunidades, refazendo-se conceitos e predileções. Basta, para a nova ambiência, capacidade de iniciativa, horizontes e, também, incentivo do Estado no sentido de se permitir que o mundo corporativo se reinvente, inclusive para que, logo mais, quem sabe, seja possível que se forneça, efetiva, profissionalmente e a gosto do cliente, café em domicílio.
[Rodrigo Ribeiro Cavalcante, artigo publicado, originariamente, no Jornal O Estado, edição de 3 de julho de 2020, p. 2]

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