ARTIGOS

Em defesa da gramática Sendo as relações sociais dinâmicas, aspecto esse que afeta diversas áreas do conhecimento, inclusive, no que aqui interessa, a linguagem, para esta – a linguagem – não se tem, formalmente, o mesmo poderia de atualizações. Por outro lado, diz-se que sendo as culturas variadas, a linguagem precisa passar por mutações, de modo a não se poder ter regras-padrão. Quando o tema é comunicação, é preciso respeitar realidades e é imperioso estudar a língua num contexto, a fim de que não se desconsiderem aspectos específicos ou cenários concretos. Por outro lado, não é adequado aceitar, considerando o lado social da vida, quando o tema é escrita ou comunicação, o “vale tudo” ou que “a norma culta que se lasque”, como escreve Marcos Bagno, em “Objeto língua”. Há pretensões de se abolir o texto gramatical, quando é imprescindível, para a gramática, que haja parâmetros; é mister que se tenha um norte quando o tema é linguagem. Ou seja, a gramática normativa, estruturada, também é importante e bem-vinda. Isso por ser necessário guardar conceitos, como existem terminologias nas Ciências Biológicas, na Geografia, na Física, na Medicina e noutras áreas do conhecimento. É oportuno que se tenham designações, como ocorre, inclusive, no estudo da História ou na Sociologia; que não seja algo do tipo certo ou errado, mas que possam existir enquadramentos, adequados e que estabeleçam significações, a fim de que se vislumbre, também na linguagem, uma paz social. Ataliba Castilho e Marcos Bagno já iniciaram esse percurso, quando escreveram a Nova gramática do português brasileiro [Ataliba] e a Gramática pedagógica do português brasileiro [Bagno], em que muito se tem de análises interessantes, trilhando temáticas que podem ser adotadas para uma linguagem mais próxima do português escrito e falado no Brasil, sem que se esqueça, aqui o grande detalhe, de regras formais, para textos estruturais. Mas, é viável se pensar um caminho por meio do qual se tenha, por exemplo, uma nova nomenclatura gramatical brasileira, ainda que para desconsiderar certos formalismos. Sem se esquecer ser possível o estudo da sintaxe, da morfossintaxe, da ortografia, da fonética, como forma de aprendizado da língua. Uma nomenclatura que privilegie, por exemplo, a extensão da pesquisa para o léxico, para investigações sincronizadas entre gramática e lexicografia, lexicologia e terminologia, ofertando-se a importância que deveria existir para o estudo das significações. E, em todo esse contexto, a lexicologia, a lexicografia e a terminologia poderão muito contribuir, sobre o quê falarei na próxima oportunidade. [Rodrigo Ribeiro Cavalcante, Professor universitário e secretaria de auditoria no TRE/CE. Artigo publicado no Jornal O Estado, edição de 16 de dezembro de 2022]

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